O pré-candidato à Presidência Romeu Zema (NOVO) reuniu nesta terça-feira, em São Paulo, cerca de 100 lideranças femininas do setor financeiro para lançar a frente de campanha chamada "Mobilização das Mulheres". O encontro foi organizado por Maria Helena Válio, fundadora e CEO da Women Invest, grupo com mais de 6 mil integrantes que trabalha pela autonomia financeira feminina e troca de experiências entre investidoras.
O movimento chega em um momento de disputa intensificada pelo voto feminino. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 2022 mostram que as eleitoras representam 52,65% do eleitorado — cerca de 82,3 milhões de mulheres — e já motivaram agendas específicas na pré-campanha dos presidenciáveis. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem sublinhado medidas de combate à violência contra a mulher, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou a intenção de apresentar um pacote de propostas ao público feminino e avalia ter uma mulher na vice.
Para Zema, o jantar com líderes financeiras é uma tentativa evidente de se aproximar de eleitoras com perfil de autonomia econômica e influência no mercado. Mais do que presença, porém, esse setor tende a cobrar propostas claras sobre responsabilidade fiscal, incentivos à poupança e ambiente favorável a investimentos. O evento sinaliza abertura de canal, mas não substitui a necessidade de detalhamento de políticas que traduzam o contato em ganhos eleitorais concretos.
Do ponto de vista político, a iniciativa é estratégica, mas insuficiente por si só: disputar parcelas relevantes do eleitorado feminino exigirá oferta programática e narrativa que dialoguem com segurança, economia doméstica, liberdade econômica e proteção social. A mobilização também serve de termômetro para a campanha de Zema: se não houver proposta consistente, ele corre o risco de ceder espaço para concorrentes com mensagens já mais consolidadas junto a eleitas e movimentos sociais.