O pré-candidato ao Palácio do Planalto Romeu Zema (Novo) buscou reduzir nesta terça-feira (28) o impacto político do pedido do ministro Gilmar Mendes para que seu nome seja incluído no inquérito das fake news. Em entrevista concedida na Agrishow 2026, em Ribeirão Preto, Zema classificou o vídeo em questão como sátira e afirmou estar “tranquilo”, ao mesmo tempo em que questionou o teor da reação do magistrado.
O pedido de Gilmar Mendes foi encaminhado ao colega Alexandre de Moraes após a divulgação de um vídeo que usa bonecos para representar os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Na peça, segundo a manifestação do ministro, há menção a favor de Toffoli em decisões sobre sigilo e referência a um resort ligado a transação envolvendo o ex-ministro. O inquérito das fake news, instaurado em março de 2019 por Dias Toffoli, apura a divulgação de notícias falsas e ataques contra integrantes do Supremo e o sistema democrático.
Ministro do Supremo tem medo de fantoche?
Zema defendeu que a peça é caricatura e tratou o episódio com ironia: “Ministro do Supremo tem medo de fantoche?”, disse, argumentando que a reação indica que “a carapuça serviu”. O tom busca transformar a crítica em argumento político, para reforçar a imagem de quem é alvo de censura por parte de instituições e, assim, se aproximar de eleitores sensíveis a narrativas antiestablishment. Ao mesmo tempo, chamou atenção ao afirmar que ministros vivem “em uma casta diferente”, gesto que amplia a tensão entre o candidato e o Judiciário.
Tecnicamente, a solicitação de Gilmar Mendes abre espaço para mais escrutínio judicial sobre um ato de campanha — ou de pré-campanha —, mesmo que Zema minimize as consequências jurídicas. Politicamente, o episódio complica a narrativa oficial do pré-candidato: ao optar pela confrontação e pela ironia, Zema aposta em capitalizar a exposição, mas também corre o risco de ampliar conflitos com setores do Judiciário e de polarizar eleitores moderados que preferem tom institucional.
Sob pena de processos e desgaste midiático, a defesa pública de Zema tem objetivo claro: reduzir efeito imediato na corrida presidencial e transformar a controvérsia em prova de independência do candidato perante as elites. Resta saber se a resposta do Supremo — por meio de Alexandre de Moraes — resultará em medidas que níveis de pressão sobre a campanha, ou se o episódio será assimilado como mais um entre muitos confrontos verbais na pré-campanha.