O pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) recorreu novamente a recursos de inteligência artificial para montar uma peça de ataque ao Supremo Tribunal Federal. Divulgado em 26 de abril, o vídeo usa um boneco estilizado que imita Zema cantando trechos que apontam o ministro Alexandre de Moraes: “Tem um ministro careca de saber que a casa dele já caiu”, diz a letra, que também cita um contrato de até R$ 129 milhões entre o escritório da esposa de Moraes e o antigo Banco Master.

O acordo — que, segundo o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, vigorou de fevereiro de 2024 a novembro de 2025 e previa pagamentos mensais de R$ 3,5 milhões — foi encerrado após a liquidação extrajudicial do Banco Master determinada pelo Banco Central. A peça também associa nomes como Daniel Vorcaro e o resort Tayayá, numa tentativa explícita de ampliar a narrativa sobre supostos privilégios na corte.

Politicamente, a iniciativa funciona como resposta ao desgaste: Gilmar Mendes pediu a inclusão de Zema no inquérito das fake news após um vídeo anterior do pré-candidato, e o novo material tende a aprofundar o confronto entre campanha e STF. O uso de deepfakes em ambiente eleitoral levanta discussões sobre desinformação e sobre os limites jurídicos e éticos da propaganda política digital.

No plano programático, Zema tem colocado a reforma do Supremo entre suas prioridades — propondo uma Corte com regras para evitar negócios de parentes, idade mínima de 60 anos e experiência de 15 anos —, mas a escalada retórica contra ministros pode cobrar preço político. A ofensiva com IA amplia o desgaste institucional e complica a estratégia de se apresentar como alternativa de perfil técnico e de renovação.