O ex-governador de Minas e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema, afirmou nesta segunda-feira, durante evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que nunca se encontrou com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e que não tem “rabo preso” com ninguém. Zema ressaltou que ambos vivem na mesma cidade natal do empresário, mas disse que Vorcaro nunca lhe pediu audiência e que, para ele, a tal “assombração” não apareceu.
No pronunciamento, o pré-candidato defendeu a necessidade de um “choque de moral, de credibilidade e de ética” diante dos recentes escândalos ligados ao setor financeiro, em referência à prisão de Vorcaro, alvo da Operação Compliance Zero da Polícia Federal em novembro de 2025. Sem citar adversários diretamente, Zema afirmou ser um dos que mais crítica a chamada ‘farra dos intocáveis’ e lembrou que sua vida pública foi vasculhada quando foi governador, sem que fossem encontradas irregularidades graves.
O episódio reacende tensões políticas já observadas desde maio, quando Zema intensificou críticas ao senador Flávio Bolsonaro após a divulgação de mensagens que mostraram agradecimento de Flávio a Vorcaro pelo financiamento da cinebiografia do ex-presidente, intitulada Dark Horse. As declarações de Zema no palco da CNI tomam, portanto, caráter estratégico: além de abordar propostas industriais, serviram para marcar território no debate anticorrupção.
Do ponto de vista político, a negativa pública de contato com Vorcaro e o apelo por ética buscam consolidar a imagem de impessoalidade e distanciamento do escândalo. Ao mesmo tempo, a ênfase na retórica anticorrupção acende alerta sobre a competição pelo eleitorado sensível ao tema: a estratégia pode render capital político, mas também convida a escrutínio sobre laços locais e a coerência entre discurso e práticas, deixando claro que o debate sobre integridade seguirá no centro da campanha.