O candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) esteve nesta segunda-feira em Belford Roxo para um encontro com fiéis da Assembleia de Deus Ministério Unção e vítimas do vício em apostas on-line. Na agenda, o presidenciável fez dura crítica às plataformas de apostas e colocou o tema na agenda de segurança pública e saúde pública de sua campanha.

Zema afirmou que sua prioridade seria extinguir as chamadas bets ou, na impossibilidade imediata, reduzir o conjunto de operações em cerca de 90%. Reconheceu, porém, que um endurecimento poderia empurrar parte do mercado para a clandestinidade e afirmou confiar em medidas tecnológicas para bloquear e suspender sites. A proposta expõe um dilema prático: o custo de fiscalização e a provável expansão do mercado ilegal, além da tensão com a defesa de liberdade econômica que costuma pautar sua sigla.

Na crítica ao governo federal, o candidato acusou o Executivo de arrecadar "bilhões" com o setor sem oferecer políticas sociais para tratar o vício, uma leitura que busca transformar o tema em instrumento de desgaste político contra a gestão atual. A leitura de Zema tenta forçar uma posição clara do governo sobre a regulação e projeta pressão sobre a narrativa oficial de que a regulamentação é positiva por gerar receita.

Além das apostas, o presidenciável diferenciou bets de mercados preditivos, defendendo estes últimos como úteis para tornar preços e expectativas mais previsíveis. No mesmo evento, voltou a defender reconhecimento e garantias para trabalhadores de aplicativos e prometeu nacionalizar o programa de formação técnica que implantou em Minas. Politicamente, a ofensiva contra as bets sinaliza tentativa de ampliar o perfil social da campanha, mas também abre questionamentos sobre viabilidade regulatória e possíveis impactos econômicos e institucionais.