Em convenção nacional realizada em Brasília, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema oficializou sua candidatura à Presidência pelo Novo e centralizou o discurso em dois vetores: a experiência na iniciativa privada e a imagem de gestor fiscal. No evento, Zema lembrou que fundou uma empresa que chegou a empregar mais de cinco mil pessoas, afirmou ter conduzido o estado por sete anos e meio e listou números de sua gestão estadual — entre eles, a atração de investimentos que, segundo ele, superaram R$ 530 bilhões e a criação de mais de um milhão de empregos formais.

O tom da fala foi nitidamente voltado para o eleitorado liberal-conservador e para empresários: promessa de governo de estirpe gerencial, priorizando equilíbrio das contas, redução de despesas e estímulos ao setor produtivo. Zema também ressaltou medidas de austeridade simbólicas, como a renúncia a salário e benefícios enquanto governador, e reiterou que sua gestão não foi alvo de escândalos de corrupção — afirmações que compõem o arcabouço de credenciais com que tenta se diferenciar em uma disputa competitiva e fragmentada à direita.

No campo da segurança pública, o candidato apresentou propostas duras: classificar facções criminosas como organizações terroristas, endurecer penas para reincidentes e criar um presídio de segurança máxima para líderes do crime organizado. Citou ainda experiências internacionais como inspiração para reduzir índices de violência. São propostas que, se transformadas em projeto de governo, exigirão alteração legislativa e um debate intenso sobre eficácia, custos e implicações institucionais — tanto no Legislativo quanto no Judiciário.

Politicamente, a iniciativa busca captar espaço entre eleitores que priorizam ordem e estabilidade econômica, ao mesmo tempo em que lança desafios práticos. Converter um legado estadual em plataforma nacional demanda articulação política e provas de que medidas locais são escaláveis. O discurso de Zema tende a pressionar outros nomes do campo liberal-conservador por oferecer um roteiro de gestão, mas também o expõe ao escrutínio sobre execução e impactos sociais das medidas anunciadas. A campanha agora terá de transformar as promessas de eficiência e segurança em propostas detalhadas capazes de convencer eleitores, aliados e mercados.