O pré-candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema, afirmou em sabatina do grupo Derrubando Muros que Jair Bolsonaro deveria ser submetido a um novo julgamento no processo que resultou na condenação por tentativa de golpe de Estado. Apesar de reiterar ser "totalmente favorável à democracia" e contrário a iniciativas golpistas, Zema questionou a legitimidade da corte que conduziu o caso e sugeriu reabrir a avaliação com "pessoas mais isentas".

A proposta de "rejulgamento" surge num contexto sensível: Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses por cinco crimes pela Primeira Turma do STF, com relatoria de Alexandre de Moraes. Zema chegou a comparar o caso com anistias históricas e citou episódios como a Operação Lava-Jato para sustentar dúvidas sobre a condução processual. Os interlocutores da sabatina, porém, lembraram que o ex-presidente teve ampla defesa — ao contrário de grupos de militância da ditadura — e que anulações anteriores se deram por falhas processuais constatadas em instâncias inferiores.

Politicamente, a posição de Zema acende alerta. Ao mesmo tempo em que tenta se distanciar do bolsonarismo — lembrando que já foi cotado para compor chapa com Flávio Bolsonaro e depois se afastou — o pedido de novo julgamento pode reforçar a associação com eleitores de direita que buscam reabilitação do ex-presidente. Há ainda um recado claro ao Supremo: questionar julgamentos consolidados coloca o candidato em rota de colisão com a segunda instância institucional do país, sem, contudo, oferecer alternativa jurídica clara.

Zema reconheceu os riscos de uma anistia para a segurança jurídica e a imagem do Brasil no exterior, e defendeu mecanismos de auditoria, como impressão para conferência de urnas, embora afirme confiar no sistema eletrônico. Em suma, a proposta de reexaminar a condenação de Bolsonaro complica a narrativa de um candidato que pretende conciliar liberalismo econômico e defesa da ordem democrática — ao mesmo tempo em que expõe sua campanha a críticas por flertar com conteúdos que tensionam o Estado de Direito.