Romeu Zema foi a Brasília para traduzir em política a indignação que, disse, toma conta do pagamento de impostos do país. Em sabatina conduzida pelos jornalistas Carlos Alexandre de Souza e Carmen Souza, o presidenciável do Novo afirmou que, se eleito, defenderá o afastamento e a investigação de ministros do Supremo Tribunal Federal envolvidos em irregularidades — um posicionamento que ele resumiu como a luta contra a “farra dos intocáveis” e que, no discurso, tem Alexandre de Moraes como “intocável‑mor”. Zema repetiu relatos presentes no debate público sobre vantagens pessoais a magistrados, como caronas em jatinhos e viagens para familiares, e cobrou apuração criteriosa.
Além da ofensiva contra o Judiciário, o candidato apresentou propostas de segurança e de gestão pública: pretende equiparar facções criminosas a grupos terroristas e formar uma força‑tarefa que reúna Forças Armadas, Polícia Federal, Receita Federal, Coaf, Abin e outros órgãos; na economia, promete reforma administrativa e enxugar a estrutura federal para 22 ministérios. A apresentação combina temas caros ao eleitor conservador — combate à violência e eficiência administrativa — com a agenda clássica do Novo por responsabilidade fiscal.
Politicamente, a postura tem dupla leitura. Para a base conservadora e para eleitores desgastados com denúncias de corrupção, a promessa de investigação e afastamento funciona como sinal de firmeza e responsabilidade. Mas a estratégia também acende alerta institucional: a insistência em remover ministros, a linguagem de conflito com o STF e a ênfase em soluções securitárias podem aprofundar a polarização e tensionar a separação entre os Poderes, sobretudo se medidas do Executivo forem interpretadas como tentativa de instrumentalizar órgãos de controle.
No curto prazo, a retórica de Zema deve ganhar espaço como alternativa para eleitores que exigem ação imediata contra irregularidades. No entanto, autoridades, juristas e setores moderados provavelmente reagirão com pedidos de garantia de devido processo e preservação de instituições. A proposta de investigação é, em essência, legítima; a forma como for conduzida é que definirá se gera maior confiança pública ou novo capítulo de conflito institucional às vésperas de 2026.