O candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) afirmou, em encontro com mulheres que relatavam casos de dependência por jogos de azar em São Paulo nesta terça (18/8), que seu primeiro ato no Planalto seria proibir as casas de apostas on-line. O presidenciável classificou as 'bets' como "uma praga, um câncer" e comparou a dependência aos efeitos da dependência química, responsabilizando também o que chamou de omissão das autoridades.

Zema vinculou o crescimento do setor ao quadro de endividamento das famílias, argumentando que brasileiros negativados recorrem às apostas na tentativa de resolver problemas financeiros agravados pelos juros altos. A fala associa uma pauta social — proteção de famílias vulneráveis — a uma crítica ao quadro macroeconômico, e tenta transformar um problema individual em tema de responsabilidade pública.

A proposta, no entanto, esbarra em barreiras práticas e políticas. A proibição de atividades que hoje são reguladas envolve mudanças legislativas e ajustes regulatórios, com impacto direto sobre empregos, arrecadação e contratos privados. Além disso, a medida parece em tensão com o discurso liberal e de livre mercado que historicamente marca o Novo, abrindo espaço para questionamentos sobre coerência ideológica na campanha.

Politicamente, a declaração pode reforçar a imagem de Zema como candidato sensível a pautas de ordem pública e proteção familiar, mas também corre o risco de desgastar parte do eleitorado liberal e gerar embate com setores econômicos e jurídicos. A promessa vem acompanhada de seu plano mais amplo de reformas — administrativa e previdenciária, redução de ministérios e revisão de programas sociais — apresentado como condição para reduzir gastos e, segundo ele, aliviar o custo do crédito.