O programa de governo do candidato Romeu Zema, do Novo, combina uma agenda econômica claramente liberal com propostas duras de segurança e mudanças institucionais. Entre os pontos de maior impacto estão a defesa da saída do BRICS, a eliminação de supersalários no funcionalismo, a redução de impostos sobre operações financeiras e um regime alternativo à CLT com prevalência do negociado sobre o legislado. A proposta reúne ainda medidas de privatização ampla, cortes de despesas obrigatórias e incentivos para atrair investimentos em data centers e cadeias ligadas à inteligência artificial.
No plano institucional, o texto sugere limitar competências do Supremo Tribunal Federal, impedir que um único ministro suspenda leis ou bloqueie políticas públicas e retirar do STF parte de suas atribuições em matérias tributárias e penais. A proposta de criar uma corregedoria para a corte e tornar mais fácil a investigação de ministros pelo Senado ou por iniciativa popular aponta para uma tentativa explícita de reposicionar o Judiciário como alvo político. Essas medidas acendem alerta sobre risco de tensão entre Executivo, Congresso e Judiciário caso avancem, além de levantar dúvidas sobre compatibilidade com a Constituição e com a estabilidade institucional necessária para governabilidade.
Na área de segurança pública e penal, o programa classifica facções criminosas como organizações terroristas, propõe presídios de segurança máxima em locais remotos, atuação integrada das Forças Armadas com as polícias e endurecimentos como prisão preventiva obrigatória na terceira prisão em flagrante e redução da maioridade penal para 16 anos ou menos. São propostas de forte apelo punitivo que podem traduzir-se em maior custo operacional aos estados e suscitar resistências de organismos de direitos humanos e de parte do Judiciário, além de intensificar o debate sobre eficácia e consequências sociais de medidas de repressão agravada.
Economicamente, a aposta é em um “choque fiscal” para reduzir juros, cortes de IOF e Imposto de Renda para empresas, e ampla privatização de estatais e imóveis públicos. A combinação busca seduzir mercado e investidores, mas esbarra na necessidade de aprovar reformas constitucionais e em medidas impopulares, como contenção de despesas obrigatórias e revisão da previdência de estados, municípios e militares. No tabuleiro político, o pacote pode aproximar Zema do eleitorado liberal e empresarial, ao mesmo tempo em que amplia a resistência de servidores, sindicatos e setores sensíveis ao enfraquecimento de direitos e instituições. Os programas foram publicados pela Agência Brasil em série que traz os planos dos candidatos; o documento de Zema será divulgado na mesma rodada que outros concorrentes.