O pré-candidato à Presidência Romeu Zema afirmou neste sábado, em evento do Novo em Belo Horizonte, que classifica como "página virada" as críticas que fez às conversas entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. O recuo público surge num momento de forte repercussão na direita e de desgaste jurídico para o próprio ex-governador de Minas Gerais.

A crítica inicial de Zema teve origem em reportagem que atribuiu a Flávio a tentativa de obter R$ 134 milhões de Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro; o então dono do Banco Master está preso e é investigado por suspeitas no sistema financeiro. A reação da família Bolsonaro foi imediata: o deputado cassado Eduardo Bolsonaro classificou as acusações como "sem fundamentos" e ironizou Zema, lembrando que ele chegou a ser colocado como potencial vice do clã.

O recuo ocorre um dia após a Procuradoria-Geral da República denunciar Zema ao Superior Tribunal de Justiça por suposta prática de calúnia contra o ministro Gilmar Mendes. Segundo a peça da PGR, publicações de Zema em março associaram condutas ilícitas a ministros do STF e tiveram ampla divulgação nas redes — números citados pela acusação incluem centenas de milhares de visualizações no X e milhões no Instagram. Em público, Zema lembrou ter defendido transparência e disse que não pretende retroceder em seu posicionamento, ainda que a questão tenha sido considerada encerrada por ele.

Politicamente, o movimento acende alerta para a estratégia do ex-governador: ao tentar manter distância de episódios que geram colisão direta com o bolsonarismo, Zema busca preservar espaço no eleitorado de centro-direita, mas corre o risco de ser visto como inconstante por críticos e adversários. O episódio também evidencia a fragilidade das articulações entre o Novo e o núcleo do PL, potencial complicador na construção de alianças rumo a 2026.

No curto prazo, o recuo tende a reduzir o confronto aberto com aliados de Bolsonaro, mas não elimina os custos institucionais e eleitorais do episódio — especialmente porque veio em meio a uma ação formal da PGR. Para Zema, o desafio será reconciliar o discurso de combate à opacidade com a necessidade de evitar rupturas que possam comprometer sua viabilidade política nas prévias eleitorais.