Romeu Zema descartou, nesta quinta-feira, a possibilidade de integrar a chapa como vice do senador Flávio Bolsonaro e reafirmou que seguirá até o fim com a pré-candidatura ao Palácio do Planalto. Em evento em São Paulo para apresentar seu programa de governo, o ex-governador do Novo tentou conciliar dois objetivos: manter uma postura independente no plano nacional e negociar apoio prático em arenas estaduais com o PL — estratégia que, segundo ele, já funcionou em estados da Região Sul.

No discurso, Zema elevou o tom contra o que chama de privilégios no Judiciário e prometeu uma reforma das regras de atuação dos ministros do Supremo Tribunal Federal: critérios de idade e mandato, maior responsabilização e restrições a negócios envolvendo parentes. As propostas têm apelo junto ao eleitorado conservador e poderão diferenciá‑lo em relação a outros nomes da direita, mas também prometem ampliar o enfrentamento institucional que o tema costuma provocar no Congresso e entre juristas.

Na tentativa de marcar contrastes, Zema ressaltou a gestão em Minas como prova de capacidade de ajuste fiscal e atacou práticas de apadrinhamento político — referência indireta a reportagens que apontaram nomeações de parentes por outros governadores. A agenda anunciada mistura medidas econômicas de austeridade com pauta dura de segurança: classificação de facções como terroristas, redução da maioridade penal e, controversamente, defesa de anistia para participantes do 8 de janeiro e para o ex‑presidente Jair Bolsonaro.

O cenário político imediato fica mais complexo com a decisão do tucano do Novo. Ao recusar virar vice, Zema preserva autonomia, mas aumenta o risco de fragmentação do eleitorado de centro‑direita e tensiona as costuras regionais que o PL busca consolidar. Para o Novo, a estratégia de alianças estaduais com um partido maior pode trazer ganhos pragmáticos nas urnas, ao mesmo tempo em que expõe o partido a contradições entre posturas locais e imagem nacional. Resta ver se o apelo reformista e a mensagem dura sobre segurança serão suficientes para transformar a candidatura em alternativa viável na disputa de 2026.