O ex-governador de Minas e pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) afirmou, em entrevista às jornalistas Andréia Sadi e Natuza Nery na GloboNews, que a inteligência artificial poderá ser usada para tornar o trabalho do Judiciário mais eficiente — a ponto, segundo ele, de permitir reduções no número de juízes e abrir espaço fiscal para diminuição de impostos. A declaração foi dada ao vivo na tarde de quinta-feira (6).
No pacote de propostas apresentada por Zema está a reformulação do papel de ministros do Supremo Tribunal Federal e alterações no sistema de nomeações. O presidenciável também defendeu meta anual de melhoria de eficiência de pelo menos 1% nas estruturas públicas — União, estados e municípios — usando tecnologia adotada no setor privado. Em sua estimativa, ganhos de produtividade permitiriam reduzir gradualmente o quadro atual de magistrados, com números citados de 10 mil para 8 mil e depois para 6 mil.
A sugestão de substituir atividades judiciais por ferramentas digitais levanta questões institucionais relevantes. Além do debate técnico sobre limites de automação em funções decisórias, a proposta toca diretamente na independência e na legitimidade do Judiciário — temas sensíveis em qualquer agenda de reforma. No plano político, a ideia acende alerta: é um sinal de campanha que promete eficiência e corte de custos, mas também complica o debate sobre separação de poderes e pode exigir explicações detalhadas sobre garantias processuais e critérios de uso.
A chapa do Novo ao Planalto tem o senador Luís Eduardo Girão (CE) como vice, em um projeto eleitoral puro-sangue. A apresentação de medidas que envolvem mudanças na estrutura do STF e na atuação de juízes tende a colocar o tema no centro da campanha, exigindo de Zema precisão técnica e resposta a questionamentos jurídicos — condicionantes que podem transformar a proposta em desafio político e institucional para o candidato.