Romeu Zema afirmou em entrevista ao portal Plox, em Ipatinga, que permanecerá na corrida presidencial até o último minuto e que não pretende abandonar a disputa antes da votação. Questionado sobre um suposto pedido do deputado Nikolas Ferreira para que saísse em favor de Flávio Bolsonaro, o candidato do Novo não confirmou ter recebido convite formal e afirmou que tem compromissos com o partido, com apoiadores e consigo mesmo.

O candidato ressaltou que a campanha usará os momentos finais para reforçar as propostas do Novo e os princípios que tem defendido. Zema também tentou relativizar a migração de votos e declarações de aliados pró‑Flávio, lembrando que apoios podem variar por estado e que é comum ver movimentos políticos locais que não refletem uma decisão nacional homogênea.

Do ponto de vista político, a manutenção da candidatura preserva a identidade e a visibilidade do Novo, mas traz custos estratégicos à frente oposicionista. Ao seguir na disputa, Zema aumenta a chance de dispersão de votos no campo da direita, justamente quando a coesão contra o PT é apresentada como prioridade por vários líderes. Movimentos de transferência de apoio, ainda que pontuais, pressionam negociações e reduzem a margem de manobra para formar uma frente única sem derrotar interesses regionais.

A fala do candidato também serve de sinal para o restante do espectro conservador: manter a candidatura é uma aposta na capacidade de atrair eleitores insatisfeitos com as alternativas, mas também pode exigir concessões pós‑eleitorais para recompor alianças. Nos dias que vêm, a política de bastidores e a estratégia dos partidos serão decisivas para saber se a retórica de unidade no segundo turno se traduzirá em movimentos táticos concretos ou se a fragmentação seguirá definindo o jogo.