Em sabatina realizada em São Paulo, Romeu Zema disse que o candidato a vice deverá vir do partido Novo e que a definição ocorrerá até a quarta-feira, último dia de convenções partidárias. A sinalização de escolha interna reduz espaço para costuras com outras legendas e indica decisão estratégica de preservar o controle do núcleo da campanha.

Zema reafirmou propostas centrais de seu programa: reformas administrativa, previdenciária e do Judiciário, revisão de benefícios fiscais e privatização integral de estatais, incluindo os Correios. Prometeu também reduzir a máquina pública — propondo cortar ministérios dos atuais 38 para 22 — e vinculou ganhos de eficiência a eventual redução de tributos ao longo do tempo.

O candidato não escondeu que está disposto a assumir medidas impopulares mesmo que comprometam chance de reeleição, postura que sinaliza prioridade pela agenda fiscal sobre a ampliação imediata de apoio eleitoral. Politicamente, essa narrativa melhora a coerência programática, mas amplia o desafio de ampliar palanque e evitar desgaste junto a setores sensíveis do eleitorado.

Na avaliação política, a decisão pelo vice do próprio partido e o tom de confronto com a prática das emendas parlamentares representam tanto uma tentativa de diferenciar a mensagem como um potencial entrave às negociações no Congresso. Caso implemente as propostas, Zema terá de enfrentar resistência institucional e a necessidade de articulação fina para transformar promessas de eficiência em resultados fiscais concretos.